quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Vergonha

Locutor da Cultura FM finaliza uma notícia sobre o projeto “Escola Sem Partido” com um grande suspiro.
- Obadias, e as escolas confessionais, tipo adventista, que doutrinam os alunos e até mesmo os pais?
- Olha, não sei, mas aposto que darão um jeitinho para elas não se enquadrarem. Mesmo porque o projeto “Escola Sem Partido” na realidade é o da escola com partido religioso, conservador, obscurantista, autoritário. Portanto, qualquer projeto educacional que se encaixar nesse perfil, quanto mais próximo dele, certamente terá apoio desses lunáticos.
De verdade, estou começando a ter vergonha de ser brasileiro. Apesar das mazelas do país, mesmo em minha conexões internacionais, nunca tive vergonha de ser brasileiro, porque as mazelas do país se explicam e, de alguma forma, via tentativas de melhorar isso. Agora, quando se somam às mazelas esse tipo de pensamento retrógrado e autoritário, realmente é desanimador e causador de muita vergonha...
Já não bastávamos ser motivo de piada por sermos um país de ignorantes em que é difícil encontrar pessoas com quem sustentar conversas se os temas não forem futebol e outras trivialidades típicas tupiniquins (visão de um estrangeiro com a qual eu infelizmente concordo), agora se soma a essa falta de conteúdo, essa visão tão tacanha e obscurantista do mundo... Triste. Obviamente que essa onda só cresceu porque as pessoas, no geral, entendem mesmo é de futebol e demais trivialidades. Se fôssemos um povo realmente dado ao conhecimento, não estaríamos nessa situação de penúria.
Por falar em penúria, causou-me tristeza ver em uma publicação o comentário de pessoas a uma pergunta que, por si só, já demonstra o estado doentio que nos encontramos. A foto de um marginal de fuzil, em uma favela, na mira de outro fuzil, supostamente de um policial: “o que você faria diante dessa situação?”. Algumas respostas:
- Pacificamente, no amor... senta o dedo!
- Mira na cabecinha e ...
- Nada, afinal o rapaz está apenas tentando se proteger de uma possível chuva.
- Chuva de bala nele então.
Veja que, diante de um problema tão complexo, com causas tão conhecidas, as pessoas preferem a solução de desumaniza o outro, a violência pela violência, a não solução dos problemas. Essas pessoas são tão violentas e desumanas, nos seus princípios, nos seus ideais, quanto aqueles marginais brutalizados. A diferença, para mim, é que uns estão armados, outros não. Mas a lógica, o raciocínio, é o mesmo.
Sim, vergonha de ser brasileiro. Definitivamente...

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Autocrítica


Estava lendo agora os comentários de uma notícia que fala dos diversos xingamentos do Trump em relação às mulheres. O mais exótico de publicações em portais são os comentários. Reconheço que sofro de uma certa curiosidade mórbida em relação a esses comentários.
Por quê?
Por uma questão muito simples: ali se vê todo tipo de atrocidade, desinformação, preconceito. Sempre fiquei muito impressionado com o nível de desinformação e preconceito que o brasileiro tem a partir das minhas leituras desses comentários.
Na reportagem em questão, a maioria dos comentários era na linha "go Trump", "tem que acabar com esse mimimi mesmo", "a culpa não é do Trump, mas das mulheres que estão embarangando demais" e coisas do gênero.
Daí eu me lembrei desse momento funesto em que estamos passando. Essa catarse de preconceito, desinformação, fakenews. É como se a maioria dos brasileiros estivesse escrevendo nos comentários de uma notícia em que todos tivessem acessado. Só mudou a escala. Eu vejo gente bem-educada, bem formada dizendo as maiores atrocidades, embarcando em um auto-engano impressionante. Nem é gente que eu consideraria estúpida.
Realmente, precisaríamos fazer uma autocrítica muito grande do que acreditamos, pensamos, do ódio que disseminamos com nossos discursos, das mentiras que alimentamos. Pena que estamos tão anestesiados em nossas certezas, nossos ódios, que dificilmente seremos capazes dessa tão necessária autocrítica.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Sobre homofobia e cotas


Participei há pouco involuntariamente de um experimento político/sociológico bem interessante.

Entabulei um diálogo com desconhecidos sobre a questão candente da política. Eu fiquei dando corda só para ver onde a coisa ia parar.

Houve momentos surrealmente épicos:
1.       Não houve ditadura: foi militarismo
2.       A Dilma não foi torturada: é tudo marketing
3.       Os nordestinos não trabalham e vivem de bolsa família, comem muito mal, o custo de vida é baixo e eles se contentam com o bolsa família. Os pais mandam os filhos mendigar nos faróis e ficam em casa vivendo de bolsa família

Um rapaz discordava de coisas que ouvia e depois entrou na conversa. Disse que os extremos de direita e esquerda são ruins. São uma desgraça, eu disse. Ele concordou.
Daí foi colocar seus pontos de vista. Destaco 2 deles:

- Sou contra homossexualismo. Não gosto. Mas não tenho nada contra homossexual (etc.)
- Eu também não gosto de brancos! (ele é branco) Mas não tenho preconceito.
Ele me olhou meio assustado, mas teve que concordar:
- Tudo bem, é seu direito. Mas, você não poderia deixar de empregar um branco.
- Claro que não! Não tenho preconceito contra brancos. Só não gostaria que meu filho se casasse com uma branca. De resto, de boa!
Um amigo na conversa tentou dar uma aliviada porque tinha ficado meio tenso. O rapaz riu, contemporizando:
- Ele está imitando o Bolsonaro...
Arrá! Ele percebeu, não é burro!
***
Daí veio o assunto das cotas:
- Sou totalmente contra cotas, sou a favor da meritocracia.
Concordei com ele e descrevi duas situações extremas: um filho de uma família abastada que nunca precisou trabalhar, estudou nas melhores escolas (pagas), fala outros idiomas, morou no exterior e outro favelado, que perdeu o pai, estuda numa escola pública péssima, do bairro, durante o dia tem que tomar conta dos irmãos mais novos porque a mãe tem que trabalhar, bla, bla,bla... O riquinho se dá super bem na vida, o outro não vai longe. Concluí, ironicamente:
- Óbvio que o primeiro conseguiu com seu esforço e tem todos os méritos por isso. Já o segundo é um encostado, preguiço, que não quis se esforçar.
Ele ficou meio emputecido e, meio alterado, deu a “cartada” tradicional:
- Estudei em escola pública, ralei muito na vida, bla, bla bla!!!
- E daí? Eu também. Ralei muuuuuito!!! Só que eu consigo enxergar essa realidade.
Daí tentei uma abordagem mais didática para ele entender o espírito das cotas.
Gastei alguns minutos explicando a questão do acesso à universidade e como um sistema de cotas pode ajudar quem tem condições de entrar lá mas, porque existe um número muito maior de pessoas que possuem um investimento pesado por parte dos pais, essas pessoas preenchem todas as vagas. Se as mesmas pessoas estivessem nas mesmas condições daquele pobre/negro bastante capacitado, em vez de tirar 7 (digamos) teriam tirado 3 e jamais teriam entrado na tal faculdade. Então o sistema ajuda a dar uma equilibrada nessa injustiça. Basicamente.
- Então, isso faz algum sentido para você? É justo?
- É... é justo. Mas eu não concordo com cotas!

Conclusão: as pessoas não são burras. Elas simplesmente não querem abrir mão de suas ideologias equivocadas, de seus preconceitos, de seus privilégios: se a situação as estiver favorecendo, que se lasque o resto do mundo.


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Children


No carro, enquanto lê um livro, ele pede:
- Pai, põe alguma coisa de Bartók pra tocar?
No semáforo, pesquiso rapidamente "Bartok for children" e coloco para tocar.

Seus olhos brilham de felicidade quando uma ideia cruza sua mente.
Fecha o livro e pega, rapidamente, seu "Béla Bartók for Children" na sua mochila da aula de piano.
Feliz, acompanha na partitura, cantando junto as pequenas peças que ele já estudou.
O tempo volta, rapidamente. Os tempos eram outros, mas a felicidade era a mesma: nos tempos passados meus olhos se enchiam de felicidade, quando aos 9 anos, ficava horas e horas nos livros de método de instrumento e de solfejo do meu pai, descobrindo pelo solfejo as maravilhosas melodias que se esgueiravam por trás das notinhas pretas...

sábado, 15 de setembro de 2018

Livros na infância


- Pai, o filme Hugo Cabret é para crianças?, pergunta o Felipe quando o deixo na escola, com o livro “A invenção do Hugo Cabret” aberta nas últimas páginas, onde estava sua leitura.
- Hum... Não sei...
- É que o filme parecia complexo para crianças (ele assistiu faz um tempo), mas eu achei o livro tão simples...
- É que você já está se acostumando a ler coisas mais complexas.
Mais tarde ele comentou com a mãe que a história era muito linda.

Lembrei-me dos meus 9 anos. Eu já era um leitor convicto, mas até por conta do acesso aos livros, não lia com tanta frequência. Meus pais não tinham dinheiro para comprar livros. Então eu passava o tempo em casa lendo as partituras musicais do meu pai (nessa idade eu já solfejava com bastante facilidade) e lia o que caía nas minhas mãos (por exemplo, enciclopédias: aos 11 anos li uma enciclopédia de psicologia de 5 volumes kkkkk: era o que tinha à mão).

Hoje os tempos são outros, temos condições de comprar livros para ele e, mesmo sem ficarmos “pregando” para ele que ler é bom, esse hábito surgiu naturalmente. Com certeza por ver os pais e o irmão sempre com um livro aberto.

Uma das minhas pequenas decepções da vida é que somente há alguns anos caiu minha ficha de que eu poderia ter relacionado todos os livros que já li. Eu, um amante dos levantamentos estatísticos. Eu já tinha dito para o Felipe fazer isso. Essa semana eu lhe pedi para me dizer os livros que ele já leu que vou começar a anotar. Ele gostou da ideia e me trouxe, do seu quarto, os livros já lidos. Ficaram de fora, segundo ele, os livros com menos de 20 páginas e os gibis.

Só teremos um país melhor se nossos filhos forem leitores como o Felipe. Não tem milagre. Não tem atalho. A lástima é que adultos não leitores não têm ideia de como a falta de leitura é prejudicial e não ficam motivados e tentar fazer de seus filhos leitores. O Brasil só será uma grande nação quando cada adulto vivo tiver lido algumas dezenas de livros. Do contrário, teremos uma nação de zumbis intelectuais, que raciocinam em termos muito simplificados, que não são capazes de compreender a complexidade do mundo contemporâneo, que se deixam enganar por memes rasos dada sua inexistente capacidade de consumir informação de forma crítica.



quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Carta aberta a um amigo que utilizou Romanos 13:3 para legitimar seu apoio ao Bolsonaro em seu elogio ao torturador Ustra


Amiga, ainda me lembro da dona Guiomar, que foi minha diretora de escola e do Amigo também, dando um sermão em mim e mais 3 colegas da 7ª série pelas críticas ácidas que fazíamos ao regime em nossos trabalhos escolares, por sermos politizados. Ela dizia que, embora estivéssemos na abertura, aquele tipo de manifestação política poderia trazer problemas para a escola e, quiçá, para nossas famílias. Lembro-me da dona Maria da Graça, minha professora de Geografia (não sei se foi professora do Amigo) contando pessoalmente a mim, um de seus alunos preferidos, casos de professores perseguidos pelo regime somente pelo fato de não concordarem; lembro-me claramente (embora não me lembre dos detalhes) de ela contar sobre um amigo pessoal que havia desaparecido por causa de suas opiniões políticas. A ideia dela era, de alguma forma, provocar medo para que eu não fizesse críticas severas, usando o humor (sempre usei a ironia para esculachar os poderosos de qualquer sistema de poder), porque isso poderia ser perigoso demais.

Não sei se o Amigo tinha consciência dessas coisas ou era alienado. A maioria das crianças eram alienadas. Eu tinha esse perfil mais politizado, mais consciente, porque era um devorador de livros, interessava-me por política. Não vivi os horrores da ditadura, mas pude, com meu nível de consciência adolescente da época, perceber o quanto um sistema ditatorial que se mantém no poder por meio da violência, de esquerda ou de direita, não importa, pode ser mau. Jovens de hoje não sabem o que foi a ditadura. Nem eu sabia direito porque não era adulto na época. Mas os livros, o conhecimento, a História, a não alienação estão aí como ferramentas. Basta querer usá-los.

Bolsonaro só consegue apoio de pessoas como o Amigo justamente por conta dessa absoluta alienação ou porque tais pessoas estão tão mergulhadas em suas gaiolas ideológicas que não conseguem ver a questão de forma objetiva. Isso é muito triste. O brasileiro evangélico médio não se notabiliza pelo conhecimento, pela conscientização política. Nada disso. Essa semana conversava com outro amigo evangélico sobre política – ele queria saber em quem vou votar – e era nítido que, na cabeça dele, ser de direita é do bem, ser de esquerda é do mal. Por que essa visão binária e maniqueísta do mundo? É certo que o cristianismo fundamentalista propõe uma visão extremamente maniqueísta do mundo. Será que esse exercício de ver um mundo de forma tão maniqueísta limita nossa capacidade de enxergar a realidade com toda sua complexidade? E perguntei para meu amigo algo como “já lhe ocorreu que pensamentos de direita e esquerda não são nem do bem, nem do mal, mas apenas interpretações diferentes do mundo?”

Então, como esse cristão médio com dificuldade para enxergar que o mundo não é maniqueísta como ele pensa ser se depara com o discurso do Bolsonaro que malandramente diz que não existiu ditadura, que tinha que torturar mesmo, que tinha que matar mesmo aquelas eram “pessoas do mal”, esse cristão faz o absurdo de pegar um versículo bíblico para justificar sua ignorância política. Dessa forma ele legitima “biblicamente” sua ignorância, afinal, quem vai discutir com a Bíblia? Não importa se a aplicação do versículo bíblico é desastrosa. Por que você acha que tem tanto movimento dito cristão falando os maiores absurdos por aí, explorando tanta gente simples? Porque faz exatamente o que o Amigo fez: pega um versículo bíblico e, com a hermenêutica mais tosca possível, aplica a uma situação qualquer. Quem vai discutir com um “sábio” recitando versículos bíblicos? Tecnicamente é a falácia da autoridade.

Tem mais: eu me lembrei também Hannah Arendt e seu livro “A banalidade do mal”. Sugiro que você leia. Mas não precisa ler, basta assistir algum documentário sobre: a leitura do livro é um pouco pesada. Ela demonstra como alemães “do bem”, normais, cumpridores dos seus deveres, “patriotas”, CRISTÃOS DEVOTOS, fizeram o mesmo exercício do Amigo: partindo da ideia de que eram do mal judeus e quaisquer pessoas contra do regime de terror nazista, qualquer violência perpetrada contra eles era válida e justificável. VEJA BEM, ISSO É IMPORTANTE: o regime nazista subverteu a ordem das coisas. O certo e o errado não eram mais matar ou não matar, torturar ou não torturar. O certo era “ser a favor do regime”, o errado era “ser contra o regime”. Quando a mente do alemão médio foi manipulada dessa forma, ele não viu nenhum problema em exterminar judeus OU QUAISQUER OUTROS CONTRA O REGIME. O que o Amigo fez ontem foi exatamente isso. E, como provavelmente fizeram muitos cristãos alemães, encontrou um versículo bíblico para justificar sua, desculpe o termo pesado, “perversão moral”, porque não há sistema moral que concorde que é correto matar ou torturar quem pensa de forma diferente.

Eu até entendo o Amigo, porque a História está repleta de exemplos como o dele. Nós, seres humanos, somos assim. Pelo nosso exagerado apreço a uma ideologia qualquer abrimos mão da moralidade mais básica como a ideia universal e indiscutível que é inaceitável, sob qualquer pretexto, torturar ou matar outras pessoas. Para o Amigo, não: se eles fizessem tudo “certinho”, ou seja, se não fossem contra o regime, não seriam torturados, não temeriam as autoridades. Como não fizeram as coisas “certas”, estão reclamando do quê????

Foi nesse sentido que eu lamentei e me entristeço profundamente por ver amigos meus com sua mente tão corrompida. Não espero que vocês entendam meu blábláblá. Dificilmente vocês o entenderão. Vocês estão tão afundados nessa forma de pensar que provavelmente serão incapazes de entender o que estou dizendo.

Se eu estivesse nesse sistema religioso, sentiria vergonha de vocês. Da mesma forma, quando jovem, apesar de acreditar nos fundamentos do cristianismo, tinha vergonha da Assembléia de Deus e jamais convidei algum amigo não evangélico meu para ir à minha igreja, simplesmente porque não teria o que dizer quando eles me perguntassem coisas que eu mesmo não concordava. E, quando fui sair desse sistema e um pastor assembleiano veio tentar me demover da ideia, eu lhe disse: “caro pastor, faz muito tempo que não sou mais assembleiano; eu apenas congrego no Scarpelli porque tenho uma relação emocional muito profunda com aquelas pessoas, minhas raízes estão lá, elas são praticamente minha família; mas eu não me reconheço nesse sistema, eu não entendo isso como o cristianismo que eu acredito”, e fui embora. Passei um período sabático sem criticar abertamente o sistema em respeito aos meus amigos. Mas agora, mais de 10 anos depois, já me sinto à vontade. Não para sentir vergonha, porque isso já não sinto mais por não fazer parte desse sistema. Mas para dizer o quanto isso me entristece. O quanto o sistema religioso fundamentalista e obscurantista pode levar pessoas tão boas quanto vocês a defenderem ideias tão condenáveis e, pior, utilizando argumentos bíblicos.

Desculpa se te choquei. Mas alguns de vocês, em especial meu grande amigo Amigo, um dos meus mais importantes amigos, um dos poucos que eu considero como se fossem irmãos, e ainda sinto isso, me chocaram. Não sentisse isso, eu não estaria aqui comentando, enchendo o saco dele. Porque não me importaria.

Um grande beijo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O dia em que Luzia morreu


Há alguns dias em que um idiota que postula o cargo máximo da nação aconselhou seus eleitores a ignorarem a História, acontece essa tragédia, a morte de Luzia e tantos outros tesouros inestimáveis, não apenas do Brasil, mas da humanidade, parte do acerto do museu quanto de outros museus que estavam sob nossa tutela, na confiança.

Para um amante das artes, do saber, do conhecimento, da cultura, das ciências, embora eu não seja pesquisador, é um luto doloroso. Pior ainda por ser esse museu um dos que eu gostaria de visitar. Sinto-me devastado. Essa perda é muito emblemática.

Para além da perda inestimável, essa tragédia é o retrato do Brasil, uma não-nação que não valoriza sua história, suas riquezas. Não poderia ser mais emblemático acontece em um momento onde todos nossos valores estão esgarçados, onde estamos cada vez mais nos afundando em um obscurantismo que dá medo.

Retrato esse que queima ainda mais a imagem do país e que gera em mim o desejo de que houvesse uma intervenção, sim, mas não militar, essa ansiada por gente que está no fundo do poço do obscurantismo e da violência, mas uma intervenção alienígena que nos declarasse incapazes e tomasse as rédeas dessa não-nação. Mas isso não acontecerá. A História está nas nossas mãos. Então é tempo de luto e reflexão. Aqueles que ainda não despencaram no abismo do obscurantismo e que ainda prezam o saber, a cultura, a história, precisam se mobilizar e salvar esse país de mais um degrau na derrocada rumo ao desastre.

Não sei como, mas é preciso encontrar o caminho...