sábado, 12 de janeiro de 2019

Consciência

Sobre a energia atômica e o fato de que a grande maioria de nós simplesmente não consegue tocar o âmago das questões que se colocam diante de nós. E criamos nossas convicções a partir de ilusões que tomamos por realidade. Quem "manda" sabe muito bem disso e nos fornece narrativas irreais e manipuladas, nas quais nos lançamos sofregamente, mais por uma questão de identidade (queremos nos sentir parte daquilo) e menos por estarmos conscientes.

"Este envenenamento, que progride de forma geométrica, aumentará extraordinariamente o número de crianças nascidas mortas, dos cancros, das leucemias, destruirá as plantas, alterará os climas, produzirá monstros, escangalhará os nervos, sufocar-nos-á. Os governos, quer sejam totalitários ou democratas, não renunciarão. Não renunciarão por duas razões. A primeira é que a opinião popular não pode abranger a questão. A opinião popular não possui nível de consciência planetária suficiente para reagir. A segunda é que não há governos, mas sociedades anônimas com capital humano, encarregadas, não de fazerem a história, mas de exprimir os diversos aspectos da fatalidade histórica."
("O Despertar dos Mágicos" - Louis Pauwels e Jacques Bergier)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Mouralização

Da série BATDAT
É legal mas é imourão esse nepaitismo, essa meritopaicracia... (adaptado do José Simão)
Mouralização: promessa de campanha do Bolsonaro de acabar com isso tudo o que está aí (e socar isso tudo que tenho aqui nas ancas da pátria amada).
Agora temos o Moro, o Mourão e o Mourinho.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Brasil, um país do passado

(infelizmente concordo totalmente com a leitura desse correspondente. aliás, ele diz rigorosamente o que eu penso e sempre digo, esse impressionante apego do brasileiro à falta de conhecimento, à estupidez, à ignorância, como se isso fosse equivalente ao conhecimento. essa era bolsonariana é o ápice desse obscurantismo. uma pena pelo brasil....)

BRASIL, UM PAÍS DO PASSADO

🇩🇪 Publicado na rede alemã Deutsche Welle

Íntegra:

"No Brasil, está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição, alimentado pela falsa noção de que a democracia significa que a minha ignorância é tão boa quanto o seu conhecimento."

DW - Deutsche Welle https://www.dw.com/pt-br/brasil-um-pa%C3%ADs-do-passado/a-46477566

No Brasil, está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição. Seus representantes preferem Silas Malafaia a Immanuel Kant. Os ataques miram o próprio esclarecimento, escreve o colunista Philipp Lichterbeck.
   

É sabido que viajar educa o indivíduo, fazendo com que alguém contemple algo de perspectivas diferentes. Quem deixa o Brasil nos dias de hoje deve se preocupar. O país está caminhando rumo ao passado.

No Brasil, pode ser que isso seja algo menos perceptível, porque as pessoas estão expostas ao moinho cotidiano de informações. Mas, de fora, estas formam um mosaico assustador. Atualmente, estou em viagem pelo Caribe – e o Brasil que se vê a partir daqui é de dar medo.

Na história, já houve momentos frequentes de regresso. Jared Diamond os descreve bem em seu livro Colapso: Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Motivos que contribuem para o fracasso são, entre outros, destruição do meio ambiente, negação de fatos, fanatismo religioso. Assim como nos tempos da Inquisição, quando o conhecimento em si já era suficiente para tornar alguém suspeito de blasfêmia.

No Brasil atual, não se grita "herege!", mas "comunismo!". É a acusação com a qual se demoniza a ciência e o progresso social. A emancipação de minorias e grupos menos favorecidos: comunismo! A liberdade artística: comunismo! Direitos humanos: comunismo! Justiça social: comunismo! Educação sexual: comunismo! O pensamento crítico em si: comunismo!

Tudo isso são conquistas que não são questionadas em sociedades progressistas. O Brasil de hoje não as quer mais.

Porém, a própria acusação de comunismo é um anacronismo. Como se hoje houvesse um forte movimento comunista no Brasil. Mas não se trata disso. O novo brasileiro não deve mais questionar, ele precisa obedecer: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".
Está na moda um anti-intelectualismo horrendo, "alimentado pela falsa noção de que a democracia significa que a minha ignorância é tão boa quanto o seu conhecimento", segundo dizia o escritor Isaac Asimov. Ouvi uma anedota de um pai brasileiro que tirou o filho da escola porque não queria que ele aprendesse sobre o cubismo. O pai alegou que o filho não precisa saber nada sobre Cuba, que isso era doutrinação marxista. Não sei se a historia é verdade. O pior é que bem que poderia ser.

A essência da ciência é o discernimento. Mas os novos inquisidores amam vídeos com títulos como "Feliciano destrói argumentos e bancada LGBT". Destruir, acabar, detonar, desmoralizar – são seus conceitos fundamentais. E, para que ninguém se engane, o ataque vale para o próprio esclarecimento.

Os inquisidores não querem mais Immanuel Kant, querem Silas Malafaia. Não querem mais Paulo Freire, querem Alexandre Frota. Não querem mais Jean-Jacques Rousseau, querem Olavo de Carvalho. Não querem Chico Mendes, querem a "musa do veneno" (imagino que seja para ingerir ainda mais agrotóxicos).

Dá para imaginar para onde vai uma sociedade que tem esse tipo de fanático como exemplo: para o nada. Os sinais de alerta estão acesos em toda parte.

O desmatamento da Floresta Amazônica teve neste ano o seu maior aumento em uma década: 8 mil quilômetros quadrados foram destruídos entre 2017 e 2018. Mas consórcios de mineradoras e o agronegócio pressionam por uma maior abertura da floresta.

Jair Bolsonaro quer realizar seus desejos. O próximo presidente não acredita que a seca crescente no Sudeste do Brasil poderia ter algo a ver com a ausência de formação de nuvens sobre as áreas desmatadas. E ele não acredita nas mudanças climáticas. Para ele, ambientalistas são subversivos.

Existe um consenso entre os cientistas conhecedores do assunto no mundo inteiro: dizem que a Terra está se aquecendo drasticamente por causa das emissões de dióxido de carbono do ser humano e que isso terá consequências catastróficas. Mas Bolsonaro, igual a Trump, prefere não ouvi-los. Prefere ignorar o problema.

Para o próximo ministro brasileiro do Exterior, Ernesto Araújo, o aquecimento global é até um complô marxista internacional. Ele age como se tivesse alguma noção de pesquisas sobre o clima. É exatamente esse o problema: a ignorância no Brasil de hoje conta mais do que o conhecimento. O Brasil prefere acreditar num diplomata de terceira categoria do que no Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, que estuda seriamente o tema há trinta anos.

Araújo, aliás, também diz que o sexo entre heterossexuais ou comer carne vermelha são comportamentos que estão sendo "criminalizados". Ele fala sério. Ao mesmo tempo, o Tinder bomba no Brasil. E, segundo o IBGE, há 220 milhões de cabeças de gado nos pastos do país. Mas não importa. O extremista Araújo não se interessa por fatos, mas pela disseminação de crenças. Para Jared Diamond, isso é um comportamento caraterístico de sociedades que fracassam.

Obviamente, está claríssimo que a restrição do pensamento começa na escola. Por isso, os novos inquisidores se concentram especialmente nela. A "Escola Sem Partido" tenta fazer exatamente isso. Leandro Karnal, uma das cabeças mais inteligentes do Brasil, com razão descreve a ideia como "asneira sem tamanho".

A Escola Sem Partido foi idealizada por pessoas sem noção de pedagogia, formação e educação. Eles querem reprimir o conhecimento e a discussão.

Karl Marx é ensinado em qualquer faculdade de economia séria do mundo, porque ele foi um dos primeiros a descrever o funcionamento do capitalismo. E o fez de uma forma genial. Mas os novos inquisidores do Brasil não querem Marx. Acham que o contato com a obra dele transformaria qualquer estudante em marxista convicto. Acreditam que o próprio saber é nocivo – igual aos inquisidores. E, como bons inquisidores, exortam à denúncia de mestres e professores. A obra 1984, de George Orwell, está se tornando realidade no Brasil em 2018.

É possível estender longamente a lista com exemplos do regresso do país: a influência cada vez maior das igrejas evangélicas, que fazem negócios com a credulidade e a esperança de pessoas pobres. A demonização das artes (exposições nunca abrem por medo dos extremistas, e artistas como Wagner Schwartz são ameaçados de morte por uma performance que foi um sucesso na Europa). Há uma negação paranoica de modelos alternativos de família. Existe a tentativa de reescrever a história e transformar torturadores em heróis. Há a tentativa de introduzir o criacionismo. Tomás de Torquemada em vez de Charles Darwin.

E, como se fosse uma sátira, no Brasil de 2018 há a homenagem a um pseudocientista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, que defende a teoria de que a Terra seria plana, ou "convexa", e não redonda. A moção de congratulação concedida ao pesquisador foi proposta pelo presidente da AL e aprovada por unanimidade pelos parlamentares.

Brasil, um país do passado.

* Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para os jornais Tagesspiegel (Berlim), Wochenzeitung (Zurique) e Wiener Zeitung. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

No mínimo suspeito

Alguns fatos:
1. Não me deixo seduzir por teorias de conspiração
2. Considero Bolsonaro uma pessoa asquerosa e sem escrúpulos que chegou ao poder somente porque o país vive um esgarçamento quase total do bom senso e da democracia
3. Desde o início algumas coisas nesse atentado a faca não me convenceram; mas não levei as questões adiante para não parecer um mero aficionado por teorias conspiratórias
4. Não acredito em nada que Bolsonaro diz, ao contrário de boa parte dos brasileiros que o veem como alguém do bem (sic)
5. Obviamente que sou suspeito quando se trata de algo vindo de Bolsonaro porque sempre o considerei asqueroso
6. Resolvi publicar esse vídeo porque, teorias conspiratórias à parte, ele adiciona mais perguntas às que eu já fazia, e as perguntas são totalmente pertinentes
7. O fato é que essa história nunca será esclarecida e o máximo que ocorrerá será uma história muito mal contada desde o início e algumas pessoas mortas inexplicavelmente no rastro das tentativas de esclarecimento, assim como o escabroso caso Celso Daniel
A Facada no Mito: Uma visão diferente sobre o atentado a Jair Bolsonaro

Na Telhanorte


- Vou colocar o carimbo de pago. Seu nome é Obad... Não consigo falar esse nome. É complicado. 
- Obadias.
- Obadias... seu nome é... é... você é estrangeiro?
- Meu nome é árabe (mentira).
- Ah... sabia.
- Sou terrorista.
- Não... claro que não! Você tem loja na Jurubatuba? Tem um monte de árabe lá.
- Não tenho...

(adoro esses diálogos inesperados e engraçados que meu nome e sobrenome suscitam; “infelizmente” nunca resisto e sempre conduzo o diálogo por algum caminho heterodoxo, por vezes surreal).

sábado, 15 de dezembro de 2018

Esses brasileiros...


BRASILEIROS, PAREM DE SER INOCENTES!

Durante toda a campanha, cansei de aconselhar meus amigos bolsonarianos a pararem de ser inocentes. Se Bolsonaro não estava implicado em nenhum escândalo de corrupção, era porque sempre se tratou de um político menor, que nunca fez nada de útil, que sempre se manteve à sombra do poder, como todo político medíocre, mamando nas tetas do governo em pequenos desvios. Afinal, caro amigo, você não conhece o Brasil?

Então não tem essa de que o cara é uma reserva moral. Ele simplesmente nunca esteve no centro do poder. E se estivesse, com acesso à chave do cofre, a roubalheira seria de monta maior. É assim que funciona o Brasil. Pare de cair nesse conto de que o cara está livre de corrupção. O cara sempre participou de partidos enlameados com a corrupção, envolvido com milícia carioca e tudo o mais... Se liga! Não se deixe enganar com esse discurso demagogo!!!

Tinha até um amigo que acreditava na ideia absurda que seus filhos têm posto de gasolina como uma prova de que, se o brasileiro trabalha duro, pode chegar até mesmo a ter postos de gasolinas e viva o capitalismo! Eu lhe disse: acorda, amigo!!! Se eles conseguiram sair do nada para postos de gasolina, se isso é verdade, pode apostar que não foi apenas com o salário de parlamentar que o pai conseguiu, inclusive, ajudar os filhos a se instalarem no estado para mamarem das suas tetas. Pode apostar que foram pequenos desvios aqui e acolá... De grão em grão a galinha enche o papo...

Bem, o cara chegou lá, nem assumiu e os escândalos começaram a pipocar. O mais impressionante que o modus operandi demonstra um amadorismo atroz. Isso fortalece a ideia de que eram pequenos ladrões mamando nas migalhas que caem da mesa do erário, como por exemplo a provável devolução de salário de assessores, prática generalizada nesse país corrupto até a alma. Só sendo muito ingênuo para não sacar essas possibilidades durante as eleições.

Agora, para meu estupor, vejo bolsonaristas indignados tentando defender a honra do “meu presidente”, acusando a imprensa de leviana... É impressionante como o brasileiro não aprende... Portanto, meu conselho agora é outro:

BOLSOARIANOS, PAREM DE SER BURROS!

sábado, 8 de dezembro de 2018

"Dibrando" o fundamentalismo

- Felipe, percebeu que essa sonata soa um pouco diferente? A primeira é de Rachmaninoff, essa de Shostakovich. Embora ambos fossem russos e contemporâneos, Rachmaninoff escrevia de uma forma mais romântica (por isso era chamado de neo-romântico, já que a era do romantismo ficou para trás). Já Shostakovich tinha uma escrita mais moderna, por isso soa dessa maneira. Mesmo que você não entenda, é interessante ouvir, porque essas informações ficam registradas no seu cérebro e, quando você for compor alguma coisa, mesmo sem perceber, elas podem lhe ajudar, enriquecendo suas ideias.
- Mas eu não vou compor coisas assim.
- Não tem problema. O importante é conhecer tudo, é ter referências, mesmo que você não as use.
Ele ficou lá, ouvindo Shostakovich enquanto selecionava os livros/cadernos para doar e os para conservar.