segunda-feira, 6 de junho de 2016

Religião e baratas


Com religião somos baratas. Sem religião, baratas tontas. Mas, com ou sem religião, como as baratas, não enxergamos. A religião nos passa a falsa impressão de que finalmente estamos enxergando algo.

Mozart na infância

- Felipe, quer ir em um concerto com seu pai?
- Ópera de Mozart, eu especifico.
- Mozárti?
- Não, Môzarti!
- As pessoas ficam cantando, explica a mãe.
- Não quero. E emenda: eu conheço esse cantor!
- Compositor, corrijo, e cantarolo um trecho do Rondó Alla Turca.
- Essa eu conheço, mas não era essa.
- Ah, já sei! Cantarolo o início da Sinfonia No. 40.
- Essa!!!

domingo, 5 de junho de 2016

Chegadas e partidas

Que frustração quando estando sentado no trono vai-se a energia elétrica e ficamos no escuro. Já não será mais possível aquela fugaz conferida no que sobrou de há pouco antes do pressionamento da descarga.
E por que somos afligidos por essa compulsão do rápido olhar antes do passamento? Seria o irrefreável sentimento de saudade que nos acomete de algo em nós que, nem bem chegou, já está partindo?

sábado, 4 de junho de 2016

Viva o Waze

O Waze é realmente uma beleza.

Fui à Fundação das Artes em São Caetano utilizando-o. Embora eu conheça as várias alternativas para se chegar lá, segui suas sugestões. Na volta, menos de 10 minutos depois de chegar à Fundação, como o Waze não conseguia ler as rotas, resolvi fazer o caminho mais curto, independente do trânsito encontrado porque não queria ficar me estressando com tentativas de encontrar vias menos congestionadas. Durante o percurso da Fundação das Artes até a Fundação Santo André, fiquei mais tempo parado no congestionamento que me movendo no trânsito. Da Fundação Santo André até minha casa o trânsito fluiu na normalidade, apesar de alguns picos de trânsito ruim.


Conclusão: 17 minutos na ida e 35 minutos na volta.

Subjetividade e Objetividade

"Os Unicórnios Cor-de-rosa Invisíveis são seres de grande poder espiritual. Sabemos isto porque eles são capazes de ser invisíveis e cor-de-rosa ao mesmo tempo. Como em todas as religiões, a Crença do Unicórnio Cor-de-rosa Invisível baseia-se em lógica e fé. Acreditamos que eles são cor-de-rosa e logicamente sabemos que são invisíveis porque não os conseguimos ver." –  https://pt.wikipedia.org/wiki/Unic%C3%B3rnio_Cor-de-Rosa_Invis%C3%ADvel

Esse texto me fez lembrar uma conversa com uma amiga em que discutíamos a ideia de que “se uma pessoa crê em algo, aquilo é real para ela”. A parada seria “o que é realidade, afinal?” Daí eu arriscaria dizer que há duas realidades: objetivas e subjetivas. A realidade objetiva é aquela que pode ser provada empiricamente. Por exemplo, o universo, a terra, o conhecimento científico em geral são percepções da realidade objetiva: ela existe, independente de nós. Não me refiro aos conceitos matemáticos, por exemplo, que explicam a realidade objetiva. Esses conceitos são abstrações. Mas a realidade a que eles se referem são absolutamente objetivas.

O resto, e que depende da imaginação de cada um, são realidade subjetivas, sujeitas ao tempo, à cultura. São os mitos em geral. Até mesmo conceitos que damos como “objetivos” são subjetivos, como a ideia de “país”. Alguém poderia dizer: “mas é claro que o Brasil existe! Olha lá no mapa!” Mas a ideia de país é absolutamente subjetiva, é um mito criado e que as pessoas acreditam. Se todos os seres humanos morressem hoje e, dentro de alguns anos começassem a surgir novos seres humanos de algum processo qualquer, sem laço cultural com a atual cultura, ele seria capaz de reconhecer uma árvore, independente do nome que desse a ela, mas podemos assegurar que o Brasil não existiria, tampouco outros países. E, se algum dia o conceito de país surgisse novamente, a divisão dos países seria bem diversa da que existe hoje e seria algo imaginado ao longo do tempo pelos processos históricos. Ou seja, uma realidade totalmente subjetiva.

Ainda que países sejam mitos, como tantos outros, são facilmente “lastreáveis” na realidade objetiva a partir de uma série de ferramentas (a geografia, por exemplo) e é possível, através dessas convenções, chegar a uma determinação consensual e “objetiva” de onde começa e termina um país em particular. Apesar dessa realidade que se torna “objetiva” porque as pessoas concordaram, por meio de sua imaginação de que aquilo seria real, pode-se afirmar que países não existem no mundo real, apenas na imaginação das pessoas.

Penso que as religiões são o mesmo: elas são “realidades subjetivas” que existem apenas na cabeça das pessoas. Se uma determinada ideia subjetiva a respeito de uma determinada divindade se torna uma ideia compartilhada por um número muito grande de pessoas, aquilo acaba sendo enxergada como uma “realidade objetiva”. Por isso as pessoas gostam de dizer “Deus é real”. É real na imaginação delas. Tanto que existem tantos “deuses reais” e a única característica que eles realmente têm em comum é o fato que um número limitado de pessoas acredita neles e os demais geralmente consideram

Se, por algum motivo as pessoas passassem a acreditar, aos poucos, nessa proposição dos “unicórnios cor-de-rosa” que soa tão hilariante, e fossem perdendo a crença no deus Jeová, por exemplo, e em alguns milênios houvesse muito mais gente que acreditasse nos tais unicórnios, isso seria encarado como uma “realidade objetiva” pela maior parte das pessoas e a ideia de um “deus Jeová” nos moldes dos cristianismo seria hilariante.


Enfim, vivemos numa grande matrix de realidade subjetivas que se interrelacionam e causam uma sensação de realidade objetiva. Mas a única objetividade disso tudo é que não passa de imaginação nossa. J

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Em tempos de obscurantismo religioso...

Em tempos de obscurantismo religioso, uma frase de Chico Xavier por Silvio Messias:

“Aos outros, eu dou o direito de ser como são; a mim, dou o dever de ser cada dia melhor”.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Espírito Carnavalesco

Fim de tarde, me aproximo da fila de carros parados no semáforo das avenidas Lauro Gomes e Atlântica, em Santo André. Observo uma garota que vem em direção ao meu carro, falando com os motoristas e passageiros que estão parados à minha frente. Com exceção de um dos veículos, todos os demais lhe dão dinheiro.

Trata-se de uma garota branca, cabelo castanho-claro, liso, preso em um coque mal feito. Aparenta ter uns 20 anos e, segundo o padrão de beleza vigente, não poderia ser chamada de feia. Não é magra, parece bem nutrida. Veste-se mal com uma roupa suja. Também segura nas mãos uma garrafinha vazia de água mineral.

Quando se aproxima de mim, o semáforo abre e só consigo lhe dizer “vou ficar lhe devendo dessa vez” pois o motorista atrás de mim começa a buzinar impacientemente para eu arrancar logo. Mas deu tempo para ouvir o que ela tinha a me dizer: “moço, estou com fome, você tem algum dinheiro?”

Vou embora impressionado com o “arrastão amigo” promovido pela garota. Minha conclusão é óbvia: nossa, e não é que o carnaval despertou o espírito natalino do pessoal?