sábado, 14 de outubro de 2017

Santa Internet

- Pai, que música é essa?
- Sonata “O Luar”, Vitor.
- De quem é?
- Beethoven. Era só perguntar pro Felipe.
Hoje, quando voltávamos da aula de piano, o Felipe pediu para eu pesquisar no celular e soltar no som do carro (via bluetooth) “La Campanella” de Lizt. Enquanto ouvíamos, me explicou as diferenças entre Lizst e Chopin. E falou com muita propriedade.
Depois disse que, daqui uns 10 anos, caso se torne um pianista, não fará concerto de músicas de outras pessoas mas dele mesmo, se tiver boas ideias para compor, claro.
Outro dia estava dizendo as principais características de Mozart e Bach. Há algumas semanas, estava me dizendo com que idade morreram os compositores e se disse surpreso em saber que Mozart e Chopin, por exemplo, morreram cedo, e mesmo assim compuseram tanta coisa.
- Onde você leu isso, Felipe?
- Queria saber com que idade o Chopin morreu. Pesquisei no Google. Depois pesquisei sobre os outros compositores.
Bendita internet, rogai por nós ignorantes, agora e na hora da nossa pesquisa. Amém.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Quase sobre escola sem partido

Já que o tema vem e volta...

Não vou entrar nessa bobagem de escola sem partido, mas vou dizer como eu vejo uma questão que tangencia o tema.

Há algum tempo, discutindo com alguns amigos, propus para eles a reflexão "por que será que professores de humanas geralmente são de esquerda?". Na falta de respostas, eu mesmo arrisquei uma: quando o estudioso de humanas se debruça sobre a história da humanidade, sobre os fenômenos sociais e tudo o mais, e o faz com bastante honestidade, ele chega a uma conclusão bastante simples: os mecanismos perversos que sustentam o status quo, em uma sociedade de ideologia predominantemente capitalista, e suas perversões garantem a exploração do ser humano de forma geral por um grupo bem menor e cada vez mais exclusivo à medida que esse poder de subjugar o outro aumenta. O estudioso honesto e humanitário terá uma visão bastante crítica desse processo. Porque ele foi lá e estudou a fundo esses fenômenos.

Então, nem se trata de ser comunista ou capitalista, o estudioso de humanas terá uma visão negativa disso tudo. Ocorre que a força perversa que domina o mundo, nesse sentido, é a força capitalista. A partir do momento em que o estudioso se torna um crítico desse modelo, ele automaticamente é empurrado, por meio dos rótulos, para o "comunismo".

Mas é extremamente saudável que haja essa "força ideológica" que se insurja contra a onipotência do pensamento capitalista hegemônico. Isso garante nossa decência como seres humanos, para não cairmos na ditadura do pensamento único.

Nem é preciso dizer que o "mercado" é capitalista e cada vez mais selvagem. Então já existe uma força avassaladora que consome as pessoas e é preciso fazer algum tipo de contrapeso. Natural que esse contrapeso venha do meio acadêmico porque o que move o mercado não é a dignidade, o pensamento, mas a ganância, a voracidade. Já os valores do meio acadêmico são outros.

Imaginem vocês se os capitalistas levassem de reboque o pensamento acadêmico? Não restaria mais nada. Mas isso não acontecerá porque sempre haverá seres humanos bastante críticos e sensíveis a essa realidade e que sempre proporão uma leitura alternativa, uma tentativa de equilibrar essas forças, para não sermos todos consumidos pela lógica capitalista selvagem.

Portanto, deixemos nossos professores com seu olhar crítico e perturbador da realidade (crítico e perturbador para os que estão anestesiados pela visão maniqueísta de que "capitalismo" é bom e "comunismo" é ruim). É essa capacidade de enxergar além da hegemonia que não permitirá que nos desumanizemos demais.

Por fim, escola sem partido é um projeto furado porque sempre haverá pessoas que pensam contra a corrente, que não se submetem ao pensamento hegemônico.


Viva a pluralidade de pensamento. Viva nossa capacidade de nos insurgirmos contra as ditaduras, sejam elas óbvias, sejam elas ardilosas.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Tempos modernos

Felipe: eu conheço essa música. gosto dela. qual o nome dela pra eu colocar no meu spotify?
Eu: nada será como antes

sábado, 22 de julho de 2017

Sobre sonhos musicais

Tenho sonhos musicais. Não é frequente mas tenho. Nos sonhos as melodias são lindas, os arranjos são maravilhosos. Porque tudo é lindo e colorido nesse tipo de sonho. Uma vez sonhei com uma melodia, acordei e me lembrava dela completa. Escrevi-a em uma pauta musical. Um dos sonhos mais belos que tive era uma música coral que eu ouvia em uma catedral católica em Bogotá, mas a igreja era a catedral da Sé.
Estou escrevendo um arranjo para bigband e empaquei em um compasso. Tenho que fazer uma “ponte” com um acorde “sus” de uma seção a outra e todas as ideias que me ocorrem são muito ruins. Essa manhã meu sonho cheio de histórias e reviravoltas (nem me lembro mais) finalizou comigo sentado em um piano (no sonho eu tocava piano ahahahah) resolvendo a questão. A solução era muito simples. Eu ficava exultante e corria para comemorar com as pessoas. Acordei. Agora sei a solução que darei ao problema. Espero que funcione.
Meus sonhos musicais são intensos. Mas um deles bateu todos os recordes.
Estava uma vez em Buenos Aires trabalhando em um projeto. Minha parada seguinte era Bogotá. Na noite que antecedia minha partida, sonhei que havia uma apresentação de uma peça coral com orquestra na igreja que eu frequentava. O coro e a orquestra eram sensacionais, como costumam ser nos sonhos. Eu estava com a grade orquestral na mão acompanhando, ao lado do meu irmão, Micaías de Deus, também um melômano. Nós acompanhávamos a partitura embevecidos com tanta beleza.
Eu destacava na partitura as principais frases musicais e ia comentando com meu irmão. No sonho eu via a partitura completa! Acordei de manhã e a música continuava soando na minha cabeça. Eu ainda enxergava as partes da grade musical que tinha visto no sonho. Acordei extasiado com tanta beleza. E assim continuei enquanto fazia as malas, descia para o desjejum com uma sem-sa-cio-nal “media luna” daquele hotel chique, fazia o check-out, chamava o táxi que partia para Ezeiza.
Era uma manhã tranquila e o aeroporto estava com movimentação normal, as filas não eram grandes Fui empurrando minha mala até chegar minha vez, enquanto repassava as ideias do sonho, que eu queria preservar na minha mente o maior tempo possível. Quando chegou minha vez para colocar a mala na balança, algo estranho ocorreu: fiz força demais para o peso que havia na mala. Esquisito! Pedi um instante para a moça e abri a mala. Meu Deus!!!! Cadê minhas camisetas? Cadê minhas cuecas? Cadê meus livros? Eu sempre carregava alguns livros porque estava sempre lendo e minhas malas costumavam ser meio pesadas por isso.
Desesperado, disse para a moça que tinha esquecido parte da minha bagagem no hotel. Será que dá tempo??? Ela não me garantiu, disse que estava por minha conta e risco, mas acreditava que daria tempo sim, caso eu não tivesse nenhum contratempo no caminho. Desesperado voei de volta para a saída do aeroporto pedi para o taxista voltar voando para o hotel e que me esperasse porque eu retornaria ao aeroporto chegando no hotel entrei esbaforido na recepção eles perceberam minha angústia sofregamente resumi a história o rapaz que cuida das malas e que tem um nome especifico nesses hotéis chiques e que me esqueci agora qual é subiu correndo comigo no apartamento esvaziei as gavetas esquecidas voltei voando para o táxi que retornou desrespeitando todas as leis de trânsito para Ezeiza e... ufa! não perdi o fôlego nem o voo.
Tudo por causa de um sonho musical que me deixou em êxtase. kkkkkkkkkk

domingo, 2 de julho de 2017

Sentimental é mesmo o amor

Felipe e Eunice Melo:
- Vó, do que vocês estão falando?
- Grey's Anatomy.
- Ah, eu já vi. É horroroso.
- É, muito sangue, né?
- Não, horroroso nas partes sentimentais.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Custo de vida

- Pai, quando era criança você usava aparelho no dente?
- Não.
- Por quê?
- Porque não existia, não era comum. E se existisse, só rico que usava.
- Era muito caro?
- Era.
- Quanto?
- Ah, sei lá! Era caro.
- Mas quanto?
- Ah, não sei! Uns 10 mil! 🙄
- Tudo isso? Hoje é barato. Custa uns 50 reais!
- Não, custa uns mil, dois mil...
- Tudo isso? Nada a ver.
- É isso mesmo.
- Mas o Vitor e a mãe pagaram tudo isso? Nada a ver.
- Mas é caro mesmo.
- Nada a ver! Xbox é melhor e não custa caro assim.

Uma confissão

Eu me lembro de um fato muito emblemático na minha vida...

Uma vez, quando regia um coro jovem, fui na casa do meu amigo Eliezer, que era diretor do coro, para discutirmos alguns projetos em andamento. Na época o Vitor era bebê.

Chegando ao seu apartamento, fomos conversar e seu filho nos interrompia a todo instante.

Ele, delicadamente, pegou o filho, levou-o à sala, ligou a TV em um desenho e pôs o garoto para assistir.

Eu fiquei apenas observando. Internamente, confesso, censurei a atitude do pai desnaturado que fazia da TV uma babá para seu filho.

Até que meu bebê cresceu...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!!!

Fim.