domingo, 29 de abril de 2018

Na fila do pão

Na padaria, na fila do pão, onde não sou ninguém, espero minha vez de ser atendido enquanto leio meu livro. Na minha vez:
- 3 pãezinhos, por favor?
Ela pega os pãezinhos, embrulha.
- Quer uma sacolinha?
- Não, obrigado.
Penso em uma fração de segundos, na volta lendo o livro pela rua, mudo de opinião:
- Pensando melhor, quero sim!
Ela pega a sacolinha, coloca o saco de pão dentro, me entrega, sorri e emenda:
- Posso fazer uma pergunta?
- Claro!, sorrio.
- O senhor é padre?
- Eu??? Não!, respondo arreganhando o sorriso.
- É que o senhor tem um semblante de padre...
😇! Não, sou pai!, respondo, como quem sugere que uma coisa implica na inviabilidade da outra.
Ela sorri.
Vou para o caixa.


domingo, 15 de abril de 2018

I Will See You - Anitta

Tive que fazer uma pausa na música em 2018. Ou seja, minha alma está a padecer de sede e frio... kkkkkkkkkkk

Para dar uma alimentada nela vez por outra, dou uma revisitadas em alguns trabalhos meus. Ultimamente vinha escrevendo alguns arranjos para cordas. Coisa simples, a maior parte deles para uma orquestra de estudantes. Resolvi compartilhar algum desses arranjos por aqui.

Esse aqui foi uma encomenda feita quando a música “Will I See You” da Anitta estava no auge. A ideia era escrever para quarteto de cordas + cozinha jazzística formada por violão, piano, bateria e contrabaixo. O arranjo nunca foi executado porque faltou verba para produzir um vídeo com ele (essa era a ideia do meu contratante).

No vídeo uma demo do arranjo somente com a parte das cordas.

Divirtam-se. Eu sempre me divirto quando o ouço.

I Will See You (Anitta) - demo do arranjo

sábado, 14 de abril de 2018

Pergunta aos meus amigos anti-petistas

No impeachment, meus amigos antipetistas estavam excitadíssimos com o #ForaDilma corrupta. Eu lhes dizia, enfadado, que aquilo não era nada contra a corrupção, era apenas um jogo para derrubá-la do poder. Meses depois de ela derrubada, o senado flexionou a regra utilizada malandramente para derruba-la e viva as pedaladas. Para mim era a prova de que fazia sentido minha hipótese. Meus amigos antipetistas se calaram.
Agora, com o Lula, deu-se o mesmo. Enfadado, eu dizia: Gente, a ideia é tirar o Lula da competição! Quero ver pegarem os tucanos e os barões históricos do poder! Nem uma semana depois, quando o Alckmin perde o foro, seus amigos do poder vão e o blindam. Festa entre os tucanos, Moro deve ter suspirado aliviado, afinal é sempre desconfortável ter que investigar os próprios compadres. Obviamente, nenhuma surpresa para mim, porque a coisa me parece óbvia demais.
Tampouco haverá protestos dos paneleiros porque a essência deles é o antipetismo não a repulsa à corrupção. A repulsa à corrupção é apenas uma desculpa conveniente.
E então, o que acham dessa blindagem instantânea ao Alckmin?
PS: não sou petista; apenas tento ser coerente, coisa rara em tempos de ódio.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O brasileiro se cansou... Será mesmo?

Durante o processo do impeachment da Dilma eu, um observador da brava gente tupiniquim, questionava com meus amigos e conhecidos por que eles não admitiam que sua adesão ao movimento não era para acabar com a corrupção mas para derrubar o projeto ideológico da esquerda. Não tinha conversa, os bravos patos amarelos da cbf estavam lá, eufóricos, “lutando” contra a corrupção. E eu aqui enfadado com tamanha capacidade de auto-engano ou desonestidade intelectual mesmo.
Enfim, o PT foi apeado do poder e o que se viu em seguida foi uma sucessão vertiginosa de escândalos, desfaçatez, demonstração de corrupção em proporções dantescas... E os patinhos? Desaparecidos, sumidos. Eu sempre achei esquisito isso, mas nem tanto, porque confirmava minha tese: ué, se o PT não dá mais as cartas, qual o interesse dessa gente em protestos? Nenhum.
Curiosamente, em muitas ocasiões, seja em programas televisivos, seja em leituras feitas, vi diversos analistas políticos explicarem o fenômeno com a mesma justificativa: "veja bem, o brasileiro cansou, perdeu as esperanças, por isso parou de protestar". Sinceramente, nunca gostei muito dessa explicação porque não confere com o que vejo.
Agora, às vésperas de a maior estrela da esquerda se safar de uma prisão, o que vejo? Como um grande vale de ossos secos, ressurretos da lassidão eterna, eis que aqueles outrora fatigados, esgotados, desesperançados, surgem renovados, cheios de "esperança" novamente, em carreatas, manifestações massivas, fechando ruas... alguns até jejuando... “contra a corrupção”!!!!
Sério? Acho que estou delirando mesmo. Preciso de remédio. Não é possível!
PS: do alto da minha ignorância legal, sou totalmente a favor da prisão em segunda instância, com a devida vênia e pouco me lixando com as filigranas legais, porque essas, se “bem utilizadas” servem apenas para fazer com que os ricos e poderosos se safem da cadeia. Para mim, mais importante que essa ou aquela interpretação da lei, o que importa é a justiça “na prática”. E, na prática, a prisão de TODOS em 2ª instância é mais justa porque os pobres já são presos só por peidarem. Então que os ricos e poderosos tenham menos recursos para fugirem da cadeia: que recorram enjaulados.

terça-feira, 13 de março de 2018

O cristianismo e a perspectiva histórica


Estava em um grupo de amigos comentando sobre essas aberrações que vemos a todo instante defendidas por “cristãos” e deu-se o seguinte diálogo:
- É impressionante como o cristianismo conseguiu neutralizar Jesus e perpetuar a tradição farisaica.
- O problema são as cartas paulinas... Hoje se fala mais dos ensinamentos de Paulo do que dos de Jesus.
- Sim. A religião devia se chamar "paulianismo".
- Paulo, apesar de bem intencionado (combateu o bom combate), comprometeu seriamente as ideias revolucionárias de Jesus.
- Daí os crentes entendem tudo errado ao não considerar como um documento histórico para aquela época e circunstâncias.
- O problema é a leitura bíblica literal sem levar em questão a perspectiva histórica. Mas isso é típico do comportamento religioso. A lógica da religião consiste justamente em enxergar o oráculo do passado como declarante de uma verdade atemporal e imutável. Para a religião, a "verdade" está no passado. Então é quase impossível para o religioso típico ler a bíblia a partir de uma abordagem crítico-histórica. Se ele faz isso... Ops! cai fora da matrix... sem querer... kkkkkkkk

sábado, 3 de março de 2018

Por que você deve cercar-se de mais livros do que conseguirá ler em vida

https://awebic.com/mente/antibiblioteca/


Concordo totalmente com o texto, ainda que eu não seja um entusiasta de que as pessoas se entupam de livros (físicos) em casa, por conta da não necessidade disso hoje em dia. Eu já tive centenas de livros e os doei para bibliotecas, partindo da ideia de que eles seriam bem mais úteis estando disponíveis a várias pessoas que somente a mim. Isso porque eu cresci em meio à pobreza e a única forma de eu ter acesso a vários livros (e eu os tinha) era por meio das bibliotecas públicas. Então, de certa forma eu estou devolvendo à sociedade o que ela me ofereceu.

Portanto, hoje, eu tenho algumas dezenas de livros físicos na minha biblioteca, quase todos não lidos. Quando os leio, dou um jeito de me livrar deles, cedendo-os a outras pessoas que possam se beneficiar deles. Eu não sou acumulador, não sou apegado a coisas, não dou muito valor a bens materiais. E vejo livros amontoados em casa como bens desnecessários.

Mas é fato que os livros nos desafiam e eu, um apaixonado por eles, não conseguiria discordar disso.

Então, como lido com a questão?

Eu também tenho meus livros, bastantes. Mas de forma digital. E eles estão sempre ali, à mão, para uma consulta, mesmo os já lidos e como desafio e constante lembrança da minha ignorância crônica, porque, quanto mais lemos, mais temos a consciência do quão pouco sabemos a respeito de tudo.

Atualmente, entre livros pdf e epub, minha biblioteca tem exatos 6.090 livros, de um total de 7.063 de outros formatos e documentos a respeito dos próprios livros. um total de 30,61 Gb. Um universo de conhecimento a me instigar e que cabe dentro de um pen-drive.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

À flor da pele


Era um sábado típico. Daqueles que eu chamaria de hoje. Descia calma e civilizadamente a Rua Tabatinguera quando, em frente a uma igreja católica que tem lá (Igreja Menino Jesus e Santa Luzia), uma pedestre pisou na faixa.  Parei. O carro que estava atrás de mim buzinou extremamente irritado, fez uma manobra à direita e desceu alguns metros na rua feito um torpedo. Outro carro em alta velocidade fez o mesmo, seguido por uma SUV importada. Todos eles pararam alguns metros à frente já que tinha trânsito no farol abaixo.

A moça na metade de caminho, em frente meu carro, meio assustada, esperando os trogloditas se auto-afirmarem em seus bólidos. Abri o vidro do carro, coloquei a mão para fora e sinalizei para que os potenciais desmiolados que vinham atrás tivessem um pouco de civilidade e parassem. Pararam. Não sei se pelo meu gesto ou por civilidade.

A moça terminou a travessia.

Continuei descendo a rua, vidro abaixado, fiz questão de emparelhar com o idiota da SUV e meneei minha cabeça enquanto o olhava, como quem diz “que bonito, hein?” Ele ficou me olhando com aquela cara de cu “não-tô-nem-aí”.

Esse é mais um pequeno detalhe desse retrato horroroso que é essa nossa sociedade adoecida de pessoas que só pensam em si mesmas, necessitam insultar e xingar os outros, gostariam de ter uma arma para estourar os miolos de qualquer engraçadinho que tente “passar dos limites” e coisas do tipo.

Estamos longe, mas muito longe mesmo, de sermos uma “nação” civilizada (tecnicamente, nem dá para dizer que somos uma nação). “Pessoas de bem” é apenas mais um termo vazio utilizado “ad nauseum” para dar um lustre civilizado às nossas pulsões violentas que estão à flor da pele, prontas para a próxima agressão.