- Pai, eu queria nascer daqui 1000 anos.
- Por quê?
- Porque daqui 1000 anos não vai ter ladrão.
- Quem disse isso?
- *** me contou. Falaram na igreja, da palavra de Deus, a bíblia. Eles avisaram.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
domingo, 24 de julho de 2016
Na loja
Eu havia retornado de uma pedalada quando a Flávia me ligou
da sua caminhada:
- Pode me buscar na loja tal que eu passei aqui para comprar
um carregador de tablet? Aproveita e traz o seu tablet para testar?
Descasquei uma pokan, coloquei-a em um pote, tablet, chave
do carro, dirigi até a loja. Vestia tênis, calça do agasalho esportivo e uma
camiseta desbotada. Estacionei do outro lado da rua, um pouco mais à frente da
loja, atravessei a rua e voltei pela calçada, displicente, tablet debaixo do braço
e pote com a pokan na outra mão.
Pensando na vida, sabe-se lá em que, fui entrando na loja. O
segurança me barrou:
- O que você quer?
Supreso, não entendi. Olhei para sua cara, desconfiado, meio
rindo, acreditando que era alguém que me conhecia e estava fazendo uma
brincadeira. Não raro me deparo com pessoas que me conhecem, conversam comigo e
eu fico disfarçando tentando me lembrar de quem se trata. Acreditei que estava acontecendo
de novo.
Olhei para a cara dele tentando reconhece-lo e entrar na
brincadeira, mas ele ficou impassivo. Definitivamente aquilo era um jogo. A
Flavia estava mais ao fundo da loja e, quando me viu barrado na porta, se
aproximou. Como eu estava naquela situação indefinida, sem reconhecer a pessoa,
joguei a toalha, esperando não ter estragado a brincadeira:
- Vim falar com minha esposa – e apontei para a Flávia.
Foi então que ele me deixou passar.
Olhei para a Flavia, sem entender nada, e foi então que eu
percebi que o que tinha acontecido.
O tempo que precisei para entender o episódio, foi o que
levei para me aproximar do balcão.
- Sandra!
A loja é de amigos da infância. Não nos víamos há um bom
tempo. Enquanto concretizávamos a compra, colocamos as notícias em dia e
atualizamos o status a respeito dos parentes: e sua mãe? E sua tia? Seu irmão apareceu,
inicialmente não o reconheci, embora ele tenha me reconhecido. Enfim, foi um
reencontro agradável, enquanto desfrutava da pokan que estava uma delícia.
Senso comum
Comportamento de manada é um traço dos animais, inclusive os humanos, não? Penso que aderir ao senso comum é uma manifestação desse comportamento. É algo irracional e instintivo. Então, se insurgir contra o senso comum é algo que vai contra nossos próprios instintos. Quando tentamos sair do senso comum, passamos às demais pessoas uma mensagem de inadequação, inconveniência.
terça-feira, 19 de julho de 2016
Delírios
Certa vez cheguei em um cliente, anos atrás, com o livro "Deus, um delírio" debaixo do braço.
- Que livro é esse que você está lendo? - perguntou-me o segurança, simpático, que já me conhecia de visitas anteriores.
- Deus, um delírio.
- Deus um delírio?
- O autor sugere que Deus não existe e seja resultado do delírio da mente humana.
Ele me olhou assim, como se suspeitasse, de repente, que eu estivesse com ebola:
- Mas você não é ateu, é?
Eu poderia ter esticado a conversa dizendo para ele que sim, apenas pelo prazer de ver onde aquilo iria parar, mas eu estava com pressa:
- Não, não sou.
De repente o sol voltou a brilhar novamente no olhar do segurança, que suspirou aliviado.
(inspirado no meu amigo Thiago Mendanha)
terça-feira, 12 de julho de 2016
Futuro
- Pai, quando você ficar idoso vai vender sua casa?
- Não sei. Acho que não. Por quê?
- Quando eu crescer, estiver trabalhando e não tiver dinheiro para comprar uma casa, você deixa eu continuar morando na sua, que é a minha agora?
- Claro!
- Muito obrigado pela gentileza.
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Cadeira de arruar
Cadeira de Arruar, da obra Museu da Inconfidência, de Guerra-Peixe.
Reencontrei-me com essa peça por conta de diálogos musicais com meu amigo Rogerio Schuindt.
Trata-se de uma peça cujo movimento me deixava em êxtase na minha adolescência. Coizdidoido!
https://youtu.be/PXHoI2SXRnI?t=80
Uma história de ofensa, arrependimento e não perdão
Uma pessoa amiga me disse algumas palavras duras ontem e eu fiquei
muito chateado. Mais tarde se arrependeu e me pediu perdão. Eu, ofendido, não a
perdoei. Passei a noite remoendo aqui. Foi então que recebi a visita de um anjo
me dizendo que minha bênção estava no baú que ele carregava, mas que, por causa
do meu pecado oculto, eu não a receberia.
Passei a noite lutando com o anjo para que me desse a bênção, ou
melhor, o baú, a despeito do meu orgulho por não reconhecer meu pecado não
confessado. Lutei muito tempo sem conseguir subtrair-lhe o baú da minha bênção.
Até que, depois de muito lutar, consegui tomar o seu baú.
O anjo, zombeteiramente, fez uma dancinha e me disse: “Mas eu ainda
tenho a chave, la, la, la, la, laaaa, la!”
Enfurecido, lancei-me sobre ele e nos engalfinhamos na luta
novamente, dessa vez para que minha bênção fosse completa: a chave! Depois de
muito lutar, consegui tocar na junta do seu cotovelo, desloquei-a com uma
luxação, a chave caiu no chão, peguei-a e dei no pé.
O anjo, que se chamava Elias, começou a urrar de dor por causa da
sua súbita luxação e, enquanto eu escapava, praguejou para que ursas saíssem da
mata e me devorassem. Por sorte o anjo não se chamava Eliseu. Não fosse isso,
as ursas – que só ouvem a voz do seu pastor – teriam atendido a seu apelo e eu
não estaria aqui para contar a história desse livramento e frustração também, o
que eu esclareço a seguir.
Pois bem, vejam como Deus tem seus mistérios: de posse da chave da bênção,
abri o baú e havia um pergaminho ardente que não se consumia. Cuidadosamente,
para não queimar os dedos, abri-o e havia apenas uma mensagem:
“Perdeu, neguinho – negão não, porque você é baixinho, playboy não,
porque você não é branco: quem tem olhos e sabedoria que leia e decifre esse
enigma – mas, voltando à mula fria, perdeu, neguinho: se você tivesse perdoado 70
dividido por 70 vezes a pessoa que lhe ofendeu e depois se arrependeu, em vez
desse pergaminho ardente, teria um reluzente pote de ouro, sua bênção, ou quem
sabe as próximas dezenas da megassena.”
Tão logo terminei a leitura, o pergaminho escapou de minha mão,
abrigou-se dentro do baú que se fechou automaticamente, transformou-se em uma
carruagem de fogo e foi assunto ao céu, como um raio que vai do oriente ao
ocidente.
Eu fiquei a ver navios mas aprendi a lição: procurei a pessoa que me
ofendeu, pedi-lhe perdão, assim como lhe perdoei os seus pecados. Porque, da
próxima vez que cruzar com o anjo, ele não me escapa, o danado.
Portanto, fica a dica dessa minha experiência:
Seja pronto para perdoar
e tardio para se ofender
e desfrute de todas as bênçãos
que a Fortuna tem preparado para você.
Seja pronto para perdoar
e tardio para se ofender
e desfrute de todas as bênçãos
que a Fortuna tem preparado para você.
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