sábado, 27 de agosto de 2016

Golpe ou farsa?

Tenho acompanhando as seções de julgamento do impeachment e estou tão impressionado que por vezes pensei em escrever um textão.
Mas não preciso, deixo o "Le Monde" falar. É bom lembrar que observadores estrangeiros conseguem analisar mais friamente a questão sem entrar nesse fla-flu passional.
Embora nunca tenha votado na Dilma e não ser um admirador do PT, desde o início desse processo era obviamente ululante sua farsa. Já escrevi algumas vezes sobre isso. Eu sei que os antipetistas, por quase todos nutrirem um ódio patológico ao PT, não terão discernimento ou honestidade suficientes para reconhecerem a farsa. Eu, da minha posição de "isentão", tenho mais facilidade.
Lamento pelo Brasil, porque parece que temos um apreço por tomarmos sempre a pior via na história, mas, de minha parte, terei orgulho de dizer aos meus possíveis netos, quando os dias de hoje forem olhados pelo crivo da história, que não fiz parte dessa farsa.

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/le-monde/2016/08/27/opiniao-queda-de-dilma-ou-e-golpe-de-estado-ou-e-farsa.htm

Ao candidato que possa se interessar

Estou em busca de um candidato que me represente. 

Além das questões mais objetivas (problemas do município, por exemplo, no caso de vereadores) que eu gostaria de saber por meio do plano de governo, há algumas questões universais que, caso V. Sa. que sonha ser V.  Exa., não atenda, nem precisa gastar suas energias comigo.

São elas:

  1. Considerar que deve haver separação entre religião e estado
  2. Considerar que suas bandeiras religiosas são válidas desde que não impliquem em desumanizar, estigmatizar, diminuir pessoas de outros credos religiosos ou morais (por exemplo, querer impedir, por meio de lei, que homossexuais se casem e adotem filhos é uma maneira bem efetiva de desumanizá-los, obriga-los a viver de acordo com suas crenças pessoais, não as deles, em uma sociedade que se pretende pluralista)
  3. Entender que existe um desequilíbrio social colossal entre brancos e negros/indígenas, vergonhoso legado do Brasil que foi o último país do ocidente a abolir a escravatura, e não se trata de dívida dos antepassados que deve ser paga pelos seus descendentes, mas simplesmente criar mecanismos para que as populações dantes escravas consigam competir em pé de igualdade com as populações brancas, já que é inquestionável o estigma e preconceito da sociedade contra essas populações: basta olhar os números sociais, econômicos e profissionais para constatar isso.
  4. Ser honesto o suficiente para abraçar bandeiras legítimas anticorrupção e fazer parte dos cidadãos que condenam indignação seletiva contra a corrupção e que se posicione como alguém que cobre das instâncias investigativas do poder público que a mesma sanha investigativa contra os corruptos do PT seja aplicada aos corruptos dos outros partidos, em especial a Lava Jato que dá claros sinais há tempos de que políticos de outros partidos contarão com a benevolência dos agentes públicos.
  5. Dar prioridade nos seus projetos políticos à educação, em especial a dos primeiros anos de vida, pois é onde o país patina em todas as instâncias, há décadas. Sem uma população bem educada, sempre ficaremos à margem da História.
  6. Esteja preparado culturalmente, não necessariamente na educação formal, para ser um político que eleve o padrão de nossos representantes. Que se interesse de fato em se aprofundar na atividade pública que vai exercer e que não encare isso como uma maneira de ganhar dinheiro fácil.
  7. Que seja um signatário incansável da reforma política tão necessária para acabar com essa orgia interminável que são os mandatos políticos. Há uma série de propostas em discussão, mas os políticos não têm interesse para não acabar com a mamata a que estão acostumados. Que você seja claramente, e não demagogicamente, contra isso.
  8. Independente da conjuntura econômica e política do país e do fato que a economia depende do empreendedorismo em todos os níveis, e independente da sua posição ideológica, entenda que é preciso ter políticas para fomentar todo tipo de negócio no país, mas nunca em prejuízo dos mais pobres, nunca à custa de explorá-los, aproveitando-se de sua condição de fragilidade. Ao contrário, os projetos deverão ser, sempre que possível, mais voltados para eles que para os com maior poder econômico.
  9. Por fim, você deve ser alguém com consciência ecológica, preocupado com a situação de degradação crescente que se encontra nosso planeta.



Se você se encaixa nesse perfil, terei o maior prazer em conhecer seu projeto político. Do contrário, muito obrigado. Se não encontrar nenhum candidato que cumpra com esses requisitos mínimos, terei o maior prazer em votar nulo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Uma utopia cristã

- Pai, eu queria nascer daqui 1000 anos.
- Por quê?
- Porque daqui 1000 anos não vai ter ladrão.
- Quem disse isso?
- *** me contou. Falaram na igreja, da palavra de Deus, a bíblia. Eles avisaram.

domingo, 24 de julho de 2016

Na loja

Eu havia retornado de uma pedalada quando a Flávia me ligou da sua caminhada:
- Pode me buscar na loja tal que eu passei aqui para comprar um carregador de tablet? Aproveita e traz o seu tablet para testar?
Descasquei uma pokan, coloquei-a em um pote, tablet, chave do carro, dirigi até a loja. Vestia tênis, calça do agasalho esportivo e uma camiseta desbotada. Estacionei do outro lado da rua, um pouco mais à frente da loja, atravessei a rua e voltei pela calçada, displicente, tablet debaixo do braço e pote com a pokan na outra mão.
Pensando na vida, sabe-se lá em que, fui entrando na loja. O segurança me barrou:
- O que você quer?
Supreso, não entendi. Olhei para sua cara, desconfiado, meio rindo, acreditando que era alguém que me conhecia e estava fazendo uma brincadeira. Não raro me deparo com pessoas que me conhecem, conversam comigo e eu fico disfarçando tentando me lembrar de quem se trata. Acreditei que estava acontecendo de novo.
Olhei para a cara dele tentando reconhece-lo e entrar na brincadeira, mas ele ficou impassivo. Definitivamente aquilo era um jogo. A Flavia estava mais ao fundo da loja e, quando me viu barrado na porta, se aproximou. Como eu estava naquela situação indefinida, sem reconhecer a pessoa, joguei a toalha, esperando não ter estragado a brincadeira:
- Vim falar com minha esposa – e apontei para a Flávia.
Foi então que ele me deixou passar.
Olhei para a Flavia, sem entender nada, e foi então que eu percebi que o que tinha acontecido.
O tempo que precisei para entender o episódio, foi o que levei para me aproximar do balcão.
- Sandra!

A loja é de amigos da infância. Não nos víamos há um bom tempo. Enquanto concretizávamos a compra, colocamos as notícias em dia e atualizamos o status a respeito dos parentes: e sua mãe? E sua tia? Seu irmão apareceu, inicialmente não o reconheci, embora ele tenha me reconhecido. Enfim, foi um reencontro agradável, enquanto desfrutava da pokan que estava uma delícia.

Senso comum

Comportamento de manada é um traço dos animais, inclusive os humanos, não? Penso que aderir ao senso comum é uma manifestação desse comportamento. É algo irracional e instintivo. Então, se insurgir contra o senso comum é algo que vai contra nossos próprios instintos. Quando tentamos sair do senso comum, passamos às demais pessoas uma mensagem de inadequação, inconveniência.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Delírios

Certa vez cheguei em um cliente, anos atrás, com o livro "Deus, um delírio" debaixo do braço. - Que livro é esse que você está lendo? - perguntou-me o segurança, simpático, que já me conhecia de visitas anteriores. - Deus, um delírio. - Deus um delírio? - O autor sugere que Deus não existe e seja resultado do delírio da mente humana. Ele me olhou assim, como se suspeitasse, de repente, que eu estivesse com ebola: - Mas você não é ateu, é? Eu poderia ter esticado a conversa dizendo para ele que sim, apenas pelo prazer de ver onde aquilo iria parar, mas eu estava com pressa: - Não, não sou. De repente o sol voltou a brilhar novamente no olhar do segurança, que suspirou aliviado. (inspirado no meu amigo Thiago Mendanha)

terça-feira, 12 de julho de 2016

Futuro

- Pai, quando você ficar idoso vai vender sua casa? - Não sei. Acho que não. Por quê? - Quando eu crescer, estiver trabalhando e não tiver dinheiro para comprar uma casa, você deixa eu continuar morando na sua, que é a minha agora? - Claro! - Muito obrigado pela gentileza.